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1.Introdução
2.Entendendo o golpe do empréstimo consignado: como eles agem
3.O que é um empréstimo consignado?
4.As principais modalidades de golpe
5.Seus direitos: a lei está do seu lado
6.A responsabilidade do banco é quase absoluta
7.O que você pode exigir judicialmente?
8.Passo a passo: o que fazer se você foi vítima do golpe
9.Conclusão

1.Introdução

Carlos, um aposentado de 68 anos, atendeu uma ligação aparentemente inofensiva. Do outro lado da linha, uma voz simpática se identificou como funcionária do banco e alertou sobre uma “oportunidade única”: a redução da taxa de juros de seu empréstimo consignado. Para “atualizar o cadastro”, ela pediu alguns dados.

Confiante, Carlos forneceu suas informações. Dias depois, ao conferir o extrato, seu coração gelou. Havia uma nova parcela de empréstimo, num valor que ele jamais poderia pagar, descontada diretamente de sua aposentadoria. Ele foi vítima de um golpe. O desespero e a sensação de impotência tomaram conta.

Como isso aconteceu? Como alguém poderia fazer um empréstimo em seu nome sem sua autorização? Ele se viu encurralado, com uma dívida que não era sua e uma renda mensal drasticamente reduzida.

A história de Carlos não é isolada. Ela se repete diariamente com aposentados, pensionistas e servidores públicos em todo o Brasil. Golpistas se passam por instituições financeiras, utilizam técnicas de engenharia social e se aproveitam da confiança das pessoas para contrair empréstimos consignados de forma fraudulenta.

O resultado é um rombo no orçamento familiar, um crédito manchado e um profundo sentimento de violação. 

Você está passando por algo parecido? Saiba que você não está sozinho e que a lei oferece mecanismos poderosos para você reverter essa situação e não apenas cancelar a dívida fraudulenta, mas também ser indenizado por todos os danos sofridos.

2.Entendendo o golpe do empréstimo consignado: como eles agem

Antes de mergulharmos nas soluções jurídicas, é crucial entender como esses golpes funcionam. Conhecer o inimigo é o primeiro passo para vencê-lo.

3.O que é um empréstimo consignado?

O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito onde as parcelas são descontadas diretamente do seu contracheque, aposentadoria ou benefício do INSS. Por ter esse desconto direto na fonte, ele é considerado de menor risco para o banco e, por isso, geralmente tem taxas de juros mais baixas. Essa característica, no entanto, é justamente o que atrai os golpistas: a certeza do recebimento.

4.As principais modalidades de golpe

Os criminosos se tornaram cada vez mais criativos. As formas mais comuns de golpe são:

  1. Clonagem de Dados e Assinatura Falsificada: O golpista, tendo acesso a seus dados pessoais (CPF, RG, renda), simplesmente falsifica sua assinatura em um contrato e o envia para o banco ou instituição financeira. Muitas vezes, a análise do banco é falha e o crédito é liberado para a conta do golpista.
  2. Falsa Oferta de Melhoria de Condições (Golpe da Portabilidade): É o caso do Carlos. O fraudador entra em contato se passando por seu banco ou por uma empresa concorrente, oferecendo “refinanciar” sua dívida com juros menores. Para isso, pede todos os seus dados e senhas. Na verdade, ele está contratando um NOVO empréstimo em seu nome e desviando o valor.
  3. Golpe do Falso Funcionário de Banco: O criminoso, usando um número de telefone muito similar ao do seu banco (uma técnica chamada spoofing), liga informando uma “dívida pendente” ou uma “irregularidade cadastral”. Para regularizar, ele solicita que você confirme seus dados ou até mesmo que instale um aplicativo no seu celular, que, na verdade, é um malware que rouba todas as suas informações bancárias.
  4. Golpe do Cartão de Crédito Consignado: Similar aos anteriores, o fraudador ativa um cartão de crédito consignado em seu nome, sem seu conhecimento, e realiza saques ou compras.

5.Seus direitos: a lei está do seu lado

Muitas vítimas se sentem culpadas ou acham que não há nada a ser feito. Isso é um engano. O ordenamento jurídico brasileiro oferece ampla proteção ao consumidor, e no caso de relações bancárias, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) é aplicado de forma integral.

6.A responsabilidade do banco é quase absoluta

Segundo a jurisprudência majoritária dos tribunais, a responsabilidade pela análise do contrato e pela veracidade das informações é, em primeiro lugar, da instituição financeira. Isso significa que:

7.O que você pode exigir judicialmente?

Ao acionar o Judiciário, você pode e deve buscar:

  1. Declaração de Nulidade do Contrato: O contrato de empréstimo fraudulento será declarado nulo, como se nunca tivesse existido.
  2. Cancelamento Imediato da Dívida e das Parcelas Descontadas: Todas as parcelas que foram descontadas de sua renda devem ser estornadas, com correção monetária e juros legais.
  3. Reparação por Danos Materiais: Além do valor descontado, você tem direito a ser indenizado por quaisquer outros prejuízos financeiros diretos, como gastos com advogado, custas processuais, e perdas decorrentes do comprometimento da sua renda.
  4. Reparação por Danos Morais: Este é um ponto crucial. A fraude gera angústia, ansiedade, desgaste, sensação de violação e, muitas vezes, abala a saúde da vítima. A jurisprudência é pacífica no sentido de conceder indenizações por danos morais em casos de golpe do consignado, pois fica caracterizado o abalo à sua esfera íntima e à sua paz.

8.Passo a passo: o que fazer se você foi vítima do golpe

Agir rápido e de forma organizada é fundamental. Siga estes passos:

  1. Reúna Todas as Provas Imediatamente: Guarde o número da ligação, prints de conversas no WhatsApp, e-mails recebidos e, o mais importante, o contrato fraudulento e os comprovantes de desconto em folha ou extrato do banco.
  2. Registre um Boletim de Ocorrência: Vá até uma delegacia e registre o fato. O B.O. é uma prova essencial de que você foi vítima de um crime e não tomou parte na fraude.
  3. Comunique Formalmente o Banco: Antes de qualquer ação judicial, é obrigatório notificar o banco por escrito (via protocolo ou carta registrada) sobre a fraude, anexando uma cópia do B.O. e solicitando o cancelamento imediato do contrato, o estorno dos valores descontados e a baixa do seu nome nos órgãos de proteção ao crédito (SPC, Serasa). Dê um prazo de 15 a 30 dias para resposta.
  4. Procure o PROCON: Se o banco não responder ou se negar a resolver a situação, registre uma reclamação no PROCON. Apesar de muitas vezes as instituições financeiras ignorarem o órgão, o registro fortalece sua posição perante o juiz, mostrando que você tentou resolver a questão extrajudicialmente.
  5. Procure um Advogado Especializado em Direito Bancário: Esta é a etapa mais importante. Se o banco não solucionar o problema, a via judicial é o caminho.

9.Conclusão

A sensação de ter algo que é seu por direito sendo tirado de você é devastadora. Ver parte do seu suado salário ou aposentadoria, que deveria sustentar sua família, ser desviada por criminosos com a conivência de um sistema falho, é inaceitável. O tempo é um fator crítico. Quanto mais você espera, mais parcelas são descontadas e mais seu crédito fica prejudicado.

Se você identificou qualquer semelhança entre a história do Carlos e a sua própria realidade, não hesite. Você não cometeu nenhum erro; você foi vítima de um crime sofisticado. Agora, é hora de virar o jogo.

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